“Não sei se existem outros, mas há pelo menos dois textos rolando pela internet com a minha assinatura dos quais sou inocente. Um deles, que compara boa parte da música popular brasileira a drogas e instrui as pessoas a evitar, entre outras coisas, cantores e compositores de Goiânia, já me valeu algumas cartas indignadas de Goiás, como era de se esperar. Respondi às cartas, expliquei o que tinha acontecido, acho que tudo ficou esclarecido, mas pretendo evitar músicos de Goiás durante algum tempo, por saudável precaução.
Enquanto as possíveis conseqüências de textos apócrifos forem só protestos e ameaças de desmembramento, tudo bem. Mas e se o tal de Apócrifo inventar de difamar alguém com a minha assinatura? Não sei até que ponto é possível descobrir a origem de um texto lançado na Internet, ou se, até conseguir provar que o texto da Internet não é meu, eu não serei processado, obrigado a pagar por danos morais além dos custos processuais, e estarei arruinado, reduzido à mendicância ou, pior, a um emprego público, para poder sustentar a família e o hábito da bebida a que certamente recorrerei para esquecer o desgosto, e pagar o quartinho alugado na Rua da Amargura sem número, fundos, tudo pelo que não fiz, ou não escrevi. Imagine se alguém inventa de começar a criticar, sei lá, o presidente da República, usando o meu nome!
Que fique estabelecido, portanto, que qualquer texto mal escrito, ou bem escrito mas controvertido, ou incoerente, bobo, nada a ver, pretensioso, metido a besta, pseudolírico, pseudoqualquer coisa, pseudopseudo, ou que de alguma forma possa dar cadeia ou problemas com autoridades, goianos ou outros grupos, com a minha assinatura, na Internet ou fora dela, não é meu. Todos os outros - inclusive alguns com outras assinaturas, até prova em contrário - são meus.”
Publicado no Estadão do dia 18 de Janeiro de 2002 na coluna de Luís Fernando Veríssimo - ou assim dizem.